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Paradoxos Contemporâneos — Poema de Laís Maria de Oliveira

  • Foto do escritor: Pedro Sucupira
    Pedro Sucupira
  • há 2 dias
  • 2 min de leitura

Capa do livro Rascunhos de delírios e, portanto, das coisas mais sérias, de Laís Maria de Oliveira. Sobre fundo amarelo, uma ilustração minimalista em traços finos mostra uma pessoa sentada lendo um livro que cobre o rosto. O título contorna a figura em formato circular, enquanto o nome da autora aparece na parte superior. Edição da Editora Crivo.

Rascunhos de delírios e, portanto, das coisas mais sérias, de Laís Maria de Oliveira, reúne poemas que encontram beleza e profundidade nas pequenas experiências da vida. O livro percorre temas como memória, afeto, passagem do tempo e as inquietações da existência por meio de uma escrita delicada, que convida o leitor a desacelerar. O título sintetiza bem a proposta da obra: os delírios e devaneios que atravessam os poemas acabam dizendo muito sobre aquilo que há de mais sério na condição humana.

Paradoxos Contemporâneos

Nos anos dois mil

não vale apenas coração puro

e vontade de ação.

Tem que ser bonito

fazer universidade

federal

falar outra língua

que não seja a sua

e ter contatos

no emprego, nas redes sociais

(menos, é claro, contato sentimental).


Não cabe mais

ter o sítio que o moço sonhou

“Isso é pra quando se aposentar”.

Mas até lá

tem que correr atrá

se quando o lá chegar

pode ser tarde demais.


Nos anos dois mil

a preguiça virou crime

e sai até no jornal:

GAROTA MATA O DIA PARA LER ROMANCE

DEITADA NA REDE DO QUINTAL.


Paixão e amor são epidemias

que precisam ser controladas

evitadas, combatidas

até a sua total extinção

para o bem e segurança

da humanidade.

(Fala-se tanto em SEGURANÇA

E tanta gente cada vez mais insegura).


Se o sujeito não quiser fazer o Enem

ele pode ser trucidado, excluído, abandonado.

Sonhar com uma vida comum

é sinônimo de gente desinteressante

(porque todo mundo PRECISA

viver aventuras mirabolantes

ser o melhor em tudo

e jamais fracassar).


Nos anos dois mil

as pessoas sofrem demais

para serem felizes.


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Se você chegou até aqui, muito obrigado pela companhia. Meu nome é Pedro Sucupira, sou professor, pesquisador em formação e um curioso incansável. Amo estudar, ler e, recentemente, descobri o prazer inescapável da escrita. Sou um explorador apaixonado por literatura, comportamento humano, sociedade e por tudo que toca os campos da ciência e da saúde.

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No Skoob, como Pedro Sucupira, onde compartilho os livros que li, estou lendo e pretendo ler.

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