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HUMANO

Atualizado: 29 de mai. de 2025

Ser humano é ser água,

água turva de Veneza,

um animal pustulento,

planta venenosa desabrochando nas falésias do ser.

A podridão em sua forma carnal,

quem planta, destrói.

Terremoto de ódio que devasta o outro

em nome de nada.

 

Ser humano é ser água,

água sigmoide,

um animal à Lovecraft,

vidraça sobre o abismo,

refletindo apenas o horror.

Questiona o próximo, exalta extremos,

incapaz de amar sem antes ferir.

Relação biológica mal-sucedida.

 

Ser humano é ser água,

água intragável,

rancor disfarçado de amor,

amizade feita de punhaladas lentas.

Inimizades clandestinas que salvam a alma

da mediocridade de suportar o alheio.

 

Ser humano é ser conivente,

cães covardes atrás da janela iluminada,

ladrando sempre, mordendo nunca.

Correm em círculos,

jamais alcançam,

aceitam o próprio sofrimento

como se fosse destino.

Chamam abuso de carência,

e devoção de servidão.

 

Ser humano é ser carente.

Inteligência carece em muitos

e sobra em poucos.

Poucos

os que sabem:

os pobres jamais deixarão de sê-lo.

Chamam essa certeza de fé,

essa mediocridade de missão.

 

Ser humano é ser fogo,

que consome os arredores

e assa a carne do outro.

Alimenta-se da dor alheia

como um rito,

assiste à morte lenta do vizinho

com um sorriso de canto de boca.

 

Ser humano demais

é deixar a humanidade de menos.

 

— O que comer?

— Aquele ali.

— Sujo demais, a pele encardida.

— E aquele outro?

— Mais limpinho.

— Assado ou cozido?

— Cru mesmo. Tenho pressa.

— Começar pelo fígado?

— Cirrótico. Melhor o cérebro.

— Macio. Tão burro que nem deve saber ler.

— Assina tudo com a digital. Assina aqui, por favor.

— Oh, pediu uma caneta. Se acha o esperto.

— Tá tremendo. Fome?

— Sofrimento demais amarga a carne.

— Vamos buscar outro.

— Miseráveis não faltam.

 

Humanos.

Miseráveis.


Máscara de caveira envelhecida e rasgada, com aparência de tecido deteriorado, manchas escuras e buracos na região dos olhos e boca, sobre fundo escuro e sombrio.

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Se você chegou até aqui, muito obrigado pela companhia. Meu nome é Pedro Sucupira, sou professor, pesquisador em formação e um curioso incansável. Amo estudar, ler e, recentemente, descobri o prazer inescapável da escrita. Sou um explorador apaixonado por literatura, comportamento humano, sociedade e por tudo que toca os campos da ciência e da saúde.

Se este texto te interessou, aqui no blog você encontra outros escritos meus, entre resenhas, contos e reflexões.

No Instagram, você me encontra como @pedrosucupiraa.

No Skoob, como Pedro Sucupira, onde compartilho os livros que li, estou lendo e pretendo ler.

E no Lattes, é possível acessar minha produção acadêmica, incluindo artigos científicos, capítulos e livros publicados.

Se quiser conversar, trocar ideias, críticas, sugestões ou experiências, sinta-se à vontade para me escrever: pdrohfs@gmail.com.

Fonte foto de capa unsplash.com

1 comentário


Convidado:
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