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Cardápio de Abismos

Foto do escritor: Pedro Sucupira
Pedro Sucupira
10 de jul. de 2024
12 min de leitura

Atualizado: 6 de out.


Homem sentado à beira de um penhasco, contemplando um vale profundo durante o pôr do sol, com montanhas, neblina e um rio ao fundo.

Existe uma pedra no penhasco, e eu estou sobre ela, bem no limiar. Olho para baixo. As pontas dos meus pés avançam além da borda, balançando distraidamente sobre o vazio. O corpo oscila num movimento quase imperceptível: o ventre se inclina para a frente, a cabeça cede para trás, como se ambos brincassem, em silêncio, com o risco.

O vento aqui não é frio. É apenas insistente — desses que não têm pressa porque sabem que o tempo lhes pertence. Lá embaixo, o abismo. Não faz ruído. Apenas existe, com a paciência das coisas que aprenderam a esperar.

Vim a pé. Em algum ponto da trilha, as pedras começaram a se soltar sob meus passos. Não olhei para baixo até chegar aqui.

Olho agora.

Daniela morreu numa quinta-feira. Foi sepultada no domingo.

Eu tinha catorze anos quando isso aconteceu. Ela com poucos meses de vida. No dia seguinte ao enterro, logo de manhã, minhas irmãs e eu, os que sobraram, brincávamos no quintal porque era o que havia para fazer. Ali, sentados no chão, um círculo formado por três, via-se o tanque. Dele vinha o cheiro de sabão em pó, e minha mãe lavava as roupas de Daniela com uma lentidão que eu nunca tinha visto nela antes. Chorava de um jeito que aprendi mais tarde a reconhecer: o choro que se faz por dentro, lá no fundo, onde você imagina que ninguém vai escutar.

Não chorei. Tive que segurar as lágrimas. Não é que não quisesse. É que alguém tinha que estar em pé, suportar o fardo enquanto os outros desmoronavam. Foi uma decisão de trinta segundos, talvez, a que mais tempo levou para ser desfeita.

E foi assim que eu cresci: um Pedro tal qual uma pedra, duro, impassível, corajoso, rigoroso, forte e destemido. Depois da morte de Daniela, o mundo teria que se esforçar muito para me abalar. Todo aquele período, a perda de uma irmã muito amada, o sofrimento de uma mãe muito amada, transformaram-se em meu referencial de tristeza. Desde então, se algo ruim me acontecesse, eu logo utilizava a tristeza daquela perda como régua. Até hoje nada se comparou com aquela tristeza.

Nada se comparava àquele vazio. A dor no peito cavava um buraco sem fundo, uma ausência que parecia consumir tudo ao redor. Um abismo abrira-se dentro de mim. Agora, diante desse penhasco, era como se um abismo contemplasse o outro.

Acredito que minha mãe enlouqueceu, mas não me lembro. Um ano inteiro permanece soterrado no inconsciente, como um cômodo trancado dentro da casa onde cresci. Nunca fiz questão de arrombar essa porta. Que essas lembranças morram de inanição e esquecimento.

São elas, contudo, que hoje compõem este cardápio.

Não fui eu quem escolheu os pratos. Apenas me sentei à mesa quando tudo já havia sido servido.

Os traumas são o verdadeiro menu divino. Há opções para todas as idades, todos os temperamentos, todas as biografias. Um banquete concebido por um deus que parece experimentar a própria criação pela dor. Não cria apenas homens; cria circunstâncias.

E as serve.

— O que deseja, senhor? Posso sugerir as especialidades da casa? Hoje temos, como entrada, crianças anêmicas com ascite grave, resultado de uma obstrução intestinal provocada por Ascaris lumbricoides.

O garçom sorri.

— Como prato principal, oferecemos diferentes modalidades de abuso sexual. Para acompanhar, assédio moral, violência doméstica e abandono infantil.

A voz permanece cordial.

— E, para sobremesa, recomendo culpa cuidadosamente introjetada por um rigoroso processo de cura gay, regada a uma delicada calda de suicídio praticado em nome da salvação da alma.

Recusar não é uma opção. Todos comem. Alguns apenas demoram mais para perceber o gosto.

Talvez não exista literatura mais atravessada pelo sofrimento do que os textos sagrados. São páginas povoadas por sacrifícios, guerras, pestes, genocídios, filhos oferecidos em holocausto, cidades reduzidas a cinzas, homens provados até o limite da carne. Um sadismo frequentemente revestido de devoção, em que seres humanos infligem sofrimento a outros seres humanos por medo — ou em nome — de seres invisíveis.

O vento continua. Lá embaixo, o abismo não faz barulho. Estou aqui porque, só agora entendo, precisava olhar. Porque olhar também faça parte do luto. Um abismo que nunca é encarado cresce para dentro.

Olho agora.

Quando penso em Daniela, já não procuro lembranças. Sou eu quem as inventa. Imagino como seria seu rosto, sua voz me chamando “irmão, me ajuda”, o jeito de prender os cabelos, a profissão que teria escolhido. Talvez fosse um pouco menor do que eu. Talvez tivesse filhos. Talvez carregasse cicatrizes que nunca conhecerei. Tudo nela hoje é hipótese.

Dizem que a própria morte é o maior dos medos. Nunca acreditei nisso. A nossa morte pode assustar, mas não nos pertence por inteiro; quando ela chega, já não estamos aqui para sofrê-la. O que verdadeiramente nos dilacera é a morte do outro. É permanecer. É continuar vivendo enquanto alguém deixa de existir.

Daniela partiu cedo demais. Não teve tempo de construir uma história, de colecionar fotografias, de transformar gestos em lembranças. Morreu antes de deixar marcas suficientes para que a memória pudesse resistir ao tempo. Talvez seja isso o que mais me dói. O lugar que ela ocupava dentro de mim jamais diminuiu. Foi a lembrança dela que desapareceu.

O trauma fez seu trabalho silencioso. Enterrou o que havia de insuportável, mas levou consigo o pouco que ainda havia de luminoso. Esqueci a dor de alguns dias; esqueci também o som da sua voz, o peso do seu corpo quando a pegávamos no colo, pequenas cenas que talvez fossem capazes de devolver-lhe alguma permanência.

O esquecimento protege, mas cobra um preço. Hoje, aos trinta e seis anos, percebo que subi até este penhasco não para desafiar a morte, mas para finalmente olhar de frente aquela que nunca tive coragem de viver. Talvez o luto seja apenas isso: aprender que algumas ausências jamais deixam de doer, mas podem, enfim, deixar de nos perseguir pelas costas.

Lá de baixo, uma rajada de vento sobe de repente, girando sobre si mesma como um pequeno redemoinho. Perco o equilíbrio, cambaleio para trás e caio sentado sobre a pedra.

Abraço as pernas. Uma lágrima escorre. Nunca me permiti chorar. Outra lágrima. Talvez nunca tenha aprendido a fazê-lo de verdade.

Procuro o vazio no peito. Onde foi parar? Já não está ali. Espalhou-se. Ocupou o corpo inteiro. Há muito deixei de carregar um abismo dentro de mim, tornei-me o próprio abismo.

Traumas, dores, vergonhas... o difícil não é contá-los. O difícil é continuar vivendo sabendo que alguém, além de você, conhece aquilo que sempre acreditou pertencer apenas à escuridão da sua alma. Há lembranças tão íntimas que, só de imaginar que as revelei a alguém, meu estômago se contrai. Ainda hoje não sei se possuo coragem suficiente para pronunciá-las em voz alta — ou mesmo escrevê-las.

Pensar nelas dói. Às vezes, estranhamente, também seduz. Permanecem soterradas durante meses, talvez anos, até que alguma fresta se abra e, então, retornam. Não para serem compreendidas, mas para lembrar que continuam vivas como um monstro adormecido no fundo de um lago. Ninguém o vê. Ninguém acredita nele. Mas eu sei que está lá.

Às vezes, penso que cada trauma deixa uma semente que não nasce de imediato. Permanece enterrada, silenciosa, aguardando o momento em que a terra cede. Pode crescer torta, alimentando ressentimentos, violências e pequenas crueldades ou pode transformar-se em outra coisa. Talvez na árvore do conhecimento — aquela que obriga alguém a abandonar a inocência para enxergar o mundo como ele realmente é.

Não sei qual delas cresceu em mim. Sei apenas que, sem essas sementes, eu não seria quem sou.

Outra lágrima. O vento, a pedra fria, o formigamento das pernas. Mais uma lágrima enquanto memórias da infância me invadem.

Lembro das tardes que tinham um cheiro específico. Nunca fui capaz de identificar qual. Mas reconheço — assim que sinto, sei o que vem atrás.

Minha mãe ia trabalhar. A porta se fechava e havia alguém que ficava. A Raiva — oh, e como eu tinha raiva. Ah, como eu a conhecia. Dormia comigo, acordava comigo. Raiva que virava lençol molhado de madrugada, raiva que me transformou em adulto antes do tempo, raiva que virava pedra. A pedra que eu já era.

Cresci com um forte senso de justiça. Tão intenso que eu mataria para proteger os fracos. Ironias da vida.

A família deveria ser o primeiro lugar de proteção, mas as lembranças dizem o contrário. Muitas desapareceram antes que eu pudesse guardá-las.

Família, essa palavra bonita para um organismo quase sempre rachado. Cada uma abriga seus próprios desastres, seus pequenos infernos domésticos, seus traumas, abusos, pesadelos e sonhos.

A minha era uma mãe sozinha tentando criar três filhos. Na verdade, quatro. Daniela morreu antes que pudéssemos aprender a contar sem ela.

Foi uma morte inesperada. Minha irmã do meio ainda estava com o braço engessado quando tudo aconteceu. A casa já carregava uma dor, e, de repente, outra entrou sem pedir licença.

Lembro-me de naquela noite barganhar com Deus. Esse Deus do cristianismo. Prometi que, se Daniela voltasse bem, se seu rosto perdesse aquelas manchas arroxeadas, eu nunca mais assistiria televisão. Parecia um sacrifício justo, enorme para uma criança. Porém, não foi suficiente.

Talvez aquele Deus exigisse ofertas maiores, mais bíblicas, como um filho. Mas Daniela já não era filha? Filha da minha mãe.

Às vezes me pergunto — e a pergunta ainda me envergonha — se, em algum lugar obscuro da minha imaginação infantil, não cheguei a acreditar que Deus aceitara Daniela em troca de nós.

Não.

Hoje sei que não. Minha mãe sofreu demais para que qualquer sacrifício pudesse ser atribuído a ela. Vi uma mulher ser despedaçada sem morrer. E eu, aos catorze anos, permaneci de pé. Queria chorar, mas alguém precisava continuar respirando.

Agora eu choro. O vento parece mais leve. Sentado na grama, diante do penhasco, abraço-me com força, afago meus próprios braços como quem tenta consolar uma criança que continua escondida em algum lugar do peito. Os pelos se arrepiam diante da imensidão desse abismo que me habita. Um abismo infinito, impossível de ser percorrido por completo.

A vertigem volta. Não apenas a do penhasco. A outra. A que nasce quando nos aproximamos demais de nós mesmos.

Li certa vez que encarar a própria morte é como olhar para o Sol. Ergo a cabeça e mais uma lágrima escorre. O céu está limpo, azul-claro, sem uma única nuvem. Forço os olhos contra a luz, não consigo sustentá-los abertos por muito tempo. O Sol vence sempre.

Por alguns segundos, tudo se apaga. Quando a visão retorna, volto-me para o penhasco. Minha inexistência está ali, em algum ponto do futuro, esperando por mim. Mas será mesmo necessário apressar esse encontro? Tento outra vez encarar o Sol. Fracasso novamente. Sempre fracassaremos. Baixo então os olhos. Entre mim e a borda existe apenas um estreito caminho, um pequeno intervalo entre dois vazios.

Talvez a vida seja apenas isso: um breve facho de luz entre duas escuridões.

O garçom retornou. Silencioso como sempre, aproximou-se sem que eu percebesse seus passos. Vestia o mesmo avental impecavelmente branco, contrastando com as mãos marcadas pelo ofício de servir desgraças. Não perguntou se eu desejava outra coisa.

Abriu o cardápio diante de mim.

— O senhor já conhece nossas especialidades. Agora chegamos ao menu degustação. Pequenas porções, servidas ao longo da vida. Nenhuma suficiente para matar. Todas suficientes para permanecer.

Passou lentamente os dedos pelas páginas.

— Hoje temos uma seleção de despedidas. Corpos vistos cedo demais. Velórios, hospitais, corredores de escola, caixões, tiros, acidentes, respiradores, terra vermelha. Um percurso cuidadosamente preparado para que o senhor nunca mais consiga olhar para a morte como um estranho.

Sorriu com a delicadeza dos garçons experientes.

— Posso servir?

Não respondi. Nunca respondo. Mas os pratos começaram a chegar um depois do outro.

Em algum momento, comecei a carregar uma lista. Não escolhi carregá-la. Ela foi se formando:

avô, dentro do caixão, terra vermelha sob os pés, mulheres chorosas cantando uma música cristã; piloto brasileiro famoso, acidente de carro, muitas pessoas aos prantos; vizinho, morte súbita, madrugada, acordo e não vejo minha mãe, saio para rua à sua procura, ela está na casa da vizinha, entro, vejo o corpo do adolescente estirado na cama, coberto por um lençol, com os dedos médio e indicador toco a carótida, ainda está morno; pai de um amigo, idoso, muito velho, no caixão; professor, assassinado, escuto um grito, um corredor, saio para fora da sala de aula correndo, me deparo com um homem de meia idade, calvo, olhos claros, caído de lado, mochila nas costas, provas na mão, muito sangue, a faca de cabo azul escuro, caída ao seu lado, o assassino fugiu, a respiração do professor vai diminuindo, diminuindo, o brilho dos olhos vai sumindo, sumindo, se tornaram opacos, morreu, sinto uma tontura, quase desmaio, me afasto; primo, acidente de moto, foi parar no CTI, uma semana estável, depois degringolou, morreu, falência múltipla de órgãos, minha tia aos prantos; outro primo, assassinado, 30 tiros nas costas, mataram por engano, caixão cheirando a pólvora, segurei minha tia enquanto o caixão era abaixado, minhas pernas bambearam, chorei muito; Daniela.

Lembro que não senti nada quando soube da morte do meu avô paterno. Nem tristeza, nem desespero, nem alegria, nem alívio. Era dez de abril, dia do meu aniversário. Recebi a notícia como quem ouve a previsão do tempo.

Durante a vida, eu o vira poucas vezes. Conhecia-o apenas pelas histórias que chegavam até mim: o abandono dos filhos, o sofrimento imposto à esposa, a grosseria, a violência cotidiana. Nunca tive vontade de vê-lo ou visitá-lo. De vez em quando, minha mãe recordava algum episódio, e cada nova lembrança apenas reforçava a imagem que eu fazia daquele homem.

— Seu avô era terrível. Não gostava de mim, e eu gostava menos ainda dele. Quando você nasceu, seu pai ainda era menor de idade, e ele precisava assinar a autorização para registrar você. Aquele velho desgraçado se recusou.

Ela fazia uma pausa. Não por falta de palavras, mas para conter a indignação que, tantos anos depois, ainda lhe alterava a voz.

Eu sempre interrompia para perguntar o que ela tinha feito.

— Você tinha acabado de nascer. Peguei você no colo e fui embora, sem me despedir de ninguém. Eu mesma fui ao cartório e registrei você. Nunca precisei daquela gente para criar meu filho.

Os problemas são os outros. Aprender a conhecer meu avô era aprender a odiá-lo.

Apertei os joelhos. Esfreguei os pés no chão enquanto olhava para o penhasco. Fiz força para me levantar, mas as pernas não obedeciam.

O medo sempre fez parte de nossa vida. O medo da exposição, de ser ridicularizado, de decepcionar quem eu amava. Foi o mesmo medo que senti no dia em que decidi contar à minha mãe sobre minha sexualidade.

Ela escovava os cabelos diante do espelho, já vestida para o trabalho.

— Mãe, preciso te contar uma coisa.

Sem interromper o movimento da escova, respondeu:

— Pode falar, meu filho.

Meu coração parecia querer escapar pela garganta.

— Preciso te contar uma coisa... mas tenho medo da sua reação.

Ela parou.

Encontrou meu reflexo no espelho antes de se virar para mim.

— Você quer falar sobre gostar de homens? É isso?

Senti os olhos marejarem.

— É... isso mesmo. Eu sou gay.

Nada aconteceu.

Nenhum grito.

Nenhuma repreensão.

Nenhum sermão.

Apenas silêncio.

Dois dias depois, enquanto eu me arrumava para sair, ela passou pelo corredor. Não olhou diretamente para mim. Parecia procurar as palavras certas havia quarenta e oito horas.

— Meu filho... isso quer dizer que você não vai poder constituir família?

Havia mais curiosidade do que julgamento em sua voz. Era a pergunta de quem ainda tentava reorganizar o mundo dentro da própria cabeça.

— Vou, mãe. Só não da forma que as pessoas estão acostumadas a imaginar.

Respondi sem muita convicção. Naquela época, eu mesmo ainda não sabia como seria esse futuro.

Ela permaneceu em silêncio por alguns instantes. Depois apenas disse:

— Entendi.

E continuou andando.

O medo de quando tive uma diarreia dentro da sala de aula e tive que voltar para casa todo sujo, atravessar o pátio da escola com todos rindo. Fiquei duas semanas sem ir à escola por causa da vergonha.

De vergonha eu entendo. Já sou calejado. Tão calejado que hoje o que mais tenho são repertórios para minhas estórias. Mas a mente às vezes me trai. Entrar em um ambiente e ouvir, só por dentro, em voz alta e precisa:

Estão todos olhando para você. Você é feio. Tem algo no seu rosto. Que cheiro é esse? Será que sou eu? Será? Será?

Medo de dizer, em voz alta, que sou ateu. Há quem escute como quem ouve uma confissão passageira.

— É uma fase.

Sorrio. Já não discuto, pois no fundo, sei que não é.

Esse abismo chamado religião, chamado crença, foi o mais difícil de atravessar. Expurguei-o a duras penas, depois de me deitar com diferentes divindades, santos, espíritos e demônios. Foi apenas quando o sobrenatural desapareceu que encontrei paz.

Em um mundo onde a miséria persiste, o extraordinário passou a ser o básico: um lar tranquilo, uma casa para voltar, comida sobre a mesa, saúde e a presença daqueles que amamos. Talvez seja isso o sobrenatural.

Diante do penhasco, lágrimas não escorrem mais. Olho para o horizonte, o vento acaricia o meu rosto, dou um passo para trás. Não porque tudo tenha passado. Não porque os abismos algum dia se fechem; eles não se fecham, aprendi isso. Apenas deixam de nos chamar com a mesma voz.

Afasto-me porque a régua de Daniela ainda está no bolso e porque ainda não tive coragem de me medir por ela. Porque existe, em algum lugar dentro de mim, uma coisa pequena que continua insistindo, mesmo quando tudo parece terminado. Pequena, ridícula, persistente, como um filhote escondido numa caixa encharcada. Você tenta ignorar o miado, vira o rosto, caminha alguns passos, mas continua ouvindo.

E eu ouço.

Talvez seja possível viver à beira de um abismo sem se entregar a ele. Talvez seja possível, de vez em quando, até dançar.

Daniela não teve tempo de aprender.

Então eu danço por nós dois.

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Cardápio de Abismos

Se você chegou até aqui, muito obrigado pela companhia. Meu nome é Pedro Sucupira, sou professor, pesquisador em formação e um curioso incansável. Amo estudar, ler e, recentemente, descobri o prazer inescapável da escrita. Sou um explorador apaixonado por literatura, comportamento humano, sociedade e por tudo que toca os campos da ciência e da saúde.

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No Instagram, você me encontra como @pedrosucupiraa.

No Skoob, como Pedro Sucupira, onde compartilho os livros que li, estou lendo e pretendo ler.

E no Lattes, é possível acessar minha produção acadêmica, incluindo artigos científicos, capítulos e livros publicados.

Se quiser conversar, trocar ideias, críticas, sugestões ou experiências, sinta-se à vontade para me escrever: pdrohfs@gmail.com.

11 comentários


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26 de out.

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Convidado:
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Convidado:
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Convidado:
12 de out.

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