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Solidão?

Foto do escritor: Pedro Sucupira
Pedro Sucupira
há 2 dias
2 min de leitura

Eu me perguntava

o que poderia ser

aos olhos de Deus.

 

Nada.

 

Nada sou.

 

Deus não me vê.

Deus não me ouve.

Deus não me responde.

 

Nada.

 

Deus não nos vê.

Deus não nos ouve.

Deus não nos responderá.

 

Nunca.

Jamais.

 

Deus não nos conhecerá.

 

Estás vendo o vazio

acima de nossas cabeças?

 

É Deus.

 

Estás vendo o buraco

aberto no chão?

 

É Deus.

 

Estás vendo as guerras?

 

É Deus.

 

A fome?

 

É Deus.

 

A peste que devora os vivos?

 

É Deus ainda.

 

A ausência é Deus.

Deus é ausência.

 

O silêncio é Deus.

Deus é a solidão dos homens.

 

Se queres viver em comunhão,

abandona Deus.

 

Do nada, nada podemos tirar.

Do nada, nada podemos sentir.

 

E o que sentes

quando clamas por Deus?

 

O vazio.

 

Pois ele nunca esteve lá.

 

E nunca estará.

 

Eu estava sozinho.

 

Sempre estivemos sozinhos.

 

Eu, o homem, sou.

O verbo que um dia se fez carne

sou eu.

O homem.

 

Porque Deus não se pronuncia.

Não se move.

Não intervém.

 

Deus é inércia.

Deus é vazio.

 

E do vazio

só nos chega o eco

dos nossos próprios gritos.

 

Conversar com Deus

é conversar consigo mesmo

diante de um espelho

que não reflete ninguém.

 

Deus não responde.

 

Se Deus existe,

o homem nada é.

 

Se o homem existe,

Deus não existe.

 

Eis o dilema

da vida moderna.

Todos conhecemos a verdade.

Poucos a aceitam.

Menos ainda suportam encará-la.

 

Preferem a infância da obediência,

a segurança dos joelhos dobrados,

a servidão daqueles

que se autodeclaram profetas.

 

Porta-vozes do Nada.

Intérpretes do Vazio.

 

Deus é o Nada.

Deus é o Vazio.

 

Deus não existe.

 

Só o homem existe.

 

Sozinho,

o homem decide o mal

e escolhe o bem.

 

Sozinho,

enfrenta o desespero

diante do Deus invisível,

do Deus imóvel,

do Deus que não responde.

 

Sozinho.

 

Mas conosco.

 

Sozinhos,

mas nunca solitários.

 

Porque há outras vozes.

Outras mãos.

Outros corpos

atravessando a mesma noite.

 

Não há solidão

quando nos reconhecemos.

 

Há apenas o eco

das nossas próprias vozes

reverberando no vazio

que chamamos de Deus.

 

E, quando o eco cessa,

quando já não resta

nenhuma voz no escuro,

 

quem permanece?

 

O homem.

 

Sempre o homem.

 

Sem resposta.

Sem promessa.

Sem Deus.

 

Sozinho.


Silhueta de um homem sentado de costas diante de uma janela iluminada, em uma composição minimalista em preto e branco que transmite solidão, introspecção e vazio existencial.

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Se você chegou até aqui, muito obrigado pela companhia. Meu nome é Pedro Sucupira, sou professor, pesquisador em formação e um curioso incansável. Amo estudar, ler e, recentemente, descobri o prazer inescapável da escrita. Sou um explorador apaixonado por literatura, comportamento humano, sociedade e por tudo que toca os campos da ciência e da saúde.

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No Instagram, você me encontra como @pedrosucupiraa.

No Skoob, como Pedro Sucupira, onde compartilho os livros que li, estou lendo e pretendo ler.

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