Solidão?
Eu me perguntava
o que poderia ser
aos olhos de Deus.
Nada.
Nada sou.
Deus não me vê.
Deus não me ouve.
Deus não me responde.
Nada.
Deus não nos vê.
Deus não nos ouve.
Deus não nos responderá.
Nunca.
Jamais.
Deus não nos conhecerá.
Estás vendo o vazio
acima de nossas cabeças?
É Deus.
Estás vendo o buraco
aberto no chão?
É Deus.
Estás vendo as guerras?
É Deus.
A fome?
É Deus.
A peste que devora os vivos?
É Deus ainda.
A ausência é Deus.
Deus é ausência.
O silêncio é Deus.
Deus é a solidão dos homens.
Se queres viver em comunhão,
abandona Deus.
Do nada, nada podemos tirar.
Do nada, nada podemos sentir.
E o que sentes
quando clamas por Deus?
O vazio.
Pois ele nunca esteve lá.
E nunca estará.
Eu estava sozinho.
Sempre estivemos sozinhos.
Eu, o homem, sou.
O verbo que um dia se fez carne
sou eu.
O homem.
Porque Deus não se pronuncia.
Não se move.
Não intervém.
Deus é inércia.
Deus é vazio.
E do vazio
só nos chega o eco
dos nossos próprios gritos.
Conversar com Deus
é conversar consigo mesmo
diante de um espelho
que não reflete ninguém.
Deus não responde.
Se Deus existe,
o homem nada é.
Se o homem existe,
Deus não existe.
Eis o dilema
da vida moderna.
Todos conhecemos a verdade.
Poucos a aceitam.
Menos ainda suportam encará-la.
Preferem a infância da obediência,
a segurança dos joelhos dobrados,
a servidão daqueles
que se autodeclaram profetas.
Porta-vozes do Nada.
Intérpretes do Vazio.
Deus é o Nada.
Deus é o Vazio.
Deus não existe.
Só o homem existe.
Sozinho,
o homem decide o mal
e escolhe o bem.
Sozinho,
enfrenta o desespero
diante do Deus invisível,
do Deus imóvel,
do Deus que não responde.
Sozinho.
Mas conosco.
Sozinhos,
mas nunca solitários.
Porque há outras vozes.
Outras mãos.
Outros corpos
atravessando a mesma noite.
Não há solidão
quando nos reconhecemos.
Há apenas o eco
das nossas próprias vozes
reverberando no vazio
que chamamos de Deus.
E, quando o eco cessa,
quando já não resta
nenhuma voz no escuro,
quem permanece?
O homem.
Sempre o homem.
Sem resposta.
Sem promessa.
Sem Deus.
Sozinho.

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Se você chegou até aqui, muito obrigado pela companhia. Meu nome é Pedro Sucupira, sou professor, pesquisador em formação e um curioso incansável. Amo estudar, ler e, recentemente, descobri o prazer inescapável da escrita. Sou um explorador apaixonado por literatura, comportamento humano, sociedade e por tudo que toca os campos da ciência e da saúde.
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