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Resenha de Sobre a Brevidade da Vida, de Sêneca, sobre tempo, existência, desperdício da vida e a busca por uma vida com propósito.

  • Foto do escritor: Pedro Sucupira
    Pedro Sucupira
  • há 1 dia
  • 3 min de leitura

Capa do livro Sobre a Brevidade da Vida, de Sêneca, em edição especial com prefácio de Lúcia Helena Galvão Maya, com fundo azul-escuro e detalhes dourados de colunas clássicas.

Nascido em Córdoba, em 4 a.C., Lúcio Aneu Sêneca foi um filósofo, escritor e político romano ligado ao estoicismo, conhecido por suas obras dedicadas à reflexão moral e à maneira como conduzimos nossa existência. Sobre a Brevidade da Vida, escrito por volta de 49 d.C., é um de seus textos mais conhecidos e parte de uma provocação bastante simples: a vida é realmente curta ou somos nós que desperdiçamos grande parte dela?

Para Sêneca, o problema não está na quantidade de tempo que recebemos, mas na maneira como o utilizamos. Desperdiçamos a vida quando a entregamos à inércia, aos vícios, às preocupações excessivas, às obrigações que assumimos sem refletir e à busca incessante por coisas que, no fim, pouco acrescentam à nossa existência. O tempo, nesse sentido, possui um valor que nenhum patrimônio material consegue compensar, porque perder tempo significa, em última instância, perder parte da própria vida.

Algumas das ideias que mais me chamaram a atenção foram:

  • A vida não é necessariamente curta; nós é que frequentemente a aproveitamos mal. 

  • Precisamos evitar o desperdício de tempo com a inércia, os vícios e as atividades que não possuem verdadeiro significado para nós.

  • Quem não estabelece objetivos próprios acaba vivendo de acordo com as demandas e expectativas dos outros.

  • Por que nos preocupamos tanto em proteger nosso patrimônio, enquanto entregamos nosso tempo com enorme facilidade?

  • Muitas vezes, reservamos para nós apenas as sobras da própria vida, depois de atender às exigências de todo o resto.

  • É preciso perguntar se a busca constante pela companhia e pela aprovação dos outros não funciona, em algumas situações, como uma maneira de evitar o encontro consigo mesmo.

Essa última questão talvez seja uma das mais interessantes do livro: quanto da nossa vida dedicamos aos outros e quanto realmente reservamos para nós mesmos? Sêneca percebe, há quase dois mil anos, um comportamento que continua bastante presente: pessoas que administram cuidadosamente seus bens, mas distribuem seu tempo sem o mesmo cuidado.

É justamente aí que a leitura estabelece uma conexão muito interessante com o presente. Em uma sociedade marcada pela velocidade, pela produtividade constante, pelo excesso de trabalho e pela dificuldade de simplesmente parar, muitas das preocupações de Sêneca permanecem reconhecíveis. A ideia de que precisamos estar continuamente produzindo, ocupados e disponíveis cria uma relação bastante problemática com o tempo, transformando até mesmo o descanso em algo que precisa ser justificado.

Por isso, encontrei algumas aproximações interessantes entre Sobre a Brevidade da Vida e Sociedade do Cansaço, de Byung-Chul Han. Separados por quase dois mil anos, os dois autores partem de contextos completamente diferentes, mas ajudam a pensar uma questão semelhante: o que fazemos com o tempo que temos e por que permitimos que nossa existência seja constantemente ocupada por demandas que nem sempre escolhemos?

Sobre a Brevidade da Vida é um livro breve, mas concentra uma quantidade impressionante de questões sobre a maneira como vivemos. Sêneca escreve há quase dois mil anos, mas muitas de suas provocações continuam bastante atuais.

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Se você chegou até aqui, muito obrigado pela companhia. Meu nome é Pedro Sucupira, sou professor, pesquisador em formação e um curioso incansável. Amo estudar, ler e, recentemente, descobri o prazer inescapável da escrita. Sou um explorador apaixonado por literatura, comportamento humano, sociedade e por tudo que toca os campos da ciência e da saúde.

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