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HEX, de Thomas Olde Heuvelt: Resenha do Livro de Terror

Foto do escritor: Pedro Sucupira
Pedro Sucupira
há 21 horas
3 min de leitura

Capa do livro HEX, de Thomas Olde Heuvelt, publicada pela DarkSide Books, com design em preto e branco formado por padrões geométricos circulares e o título em verde neon.

HEX, publicado no Brasil pela DarkSide Books em 2018, acompanha os moradores de Black Spring, uma pequena cidade marcada há séculos pela presença de Katherine van Wyler, uma mulher acusada de bruxaria e executada no século XVII. Mesmo morta, Katherine permanece na cidade, caminhando pelas ruas com os olhos e a boca costurados e correntes presas ao corpo.

Os moradores aprenderam a conviver com sua presença e estabeleceram regras rígidas para evitar que algo pior aconteça. Katherine não pode ser perturbada, sua existência não deve ser revelada a pessoas de fora e seus deslocamentos são constantemente monitorados.

A situação começa a mudar quando um grupo de adolescentes decide desafiar as regras e provocar Katherine.

O romance combina horror sobrenatural e tecnologia, ao mesmo tempo em que explora o comportamento de uma comunidade submetida durante séculos ao medo e ao isolamento. Um dos aspectos interessantes da história é justamente essa transformação do sobrenatural em parte da rotina: os moradores não estão simplesmente tentando combater a bruxa, mas aprenderam a organizar suas vidas em torno da existência dela.

Para mim, porém, o livro não funcionou tão bem quanto eu esperava. Achei o enredo bastante arrastado em determinados momentos e tive dificuldade para criar empatia pelos personagens. Poucos realmente me despertaram interesse — Grim foi uma das exceções. Em vários momentos, tive a impressão de que a construção dos personagens foi feita de maneira a provocar mais irritação do que identificação. Tyler e Steve, principalmente, tomaram decisões que me pareceram tão equivocadas que acabaram tornando a leitura ainda mais cansativa.

O terror também não me convenceu completamente. Há algumas cenas bastante perturbadoras e momentos realmente chocantes, mas senti que o livro não consegue sustentar a mesma força ao longo de toda a narrativa. A premissa é muito interessante e, no início, cria uma expectativa de que teremos uma história de horror bastante diferente, mas, para mim, o desenvolvimento não correspondeu inteiramente a essa expectativa.

A mistura entre sobrenatural e tecnologia foi outro elemento que achei interessante. A ideia de uma comunidade que convive há séculos com uma bruxa e, ao mesmo tempo, utiliza aplicativos, câmeras e sistemas de monitoramento para controlar sua presença é bastante contemporânea. No entanto, em alguns momentos, achei que essa combinação não foi desenvolvida de maneira tão consistente quanto poderia. Existe uma boa ideia por trás dela, mas senti que o autor poderia ter explorado melhor suas possibilidades.

O final também não me agradou. Achei a conclusão excessivamente longa e, ao mesmo tempo, algumas situações que poderiam ter sido mais desenvolvidas acabaram recebendo menos espaço do que eu esperava. A narrativa perde força justamente quando eu esperava que todos os elementos apresentados ao longo do livro começassem a convergir.

Acabou que li HEX praticamente ao mesmo tempo em que assistia à série Widow's Bay, da Apple TV, e a proximidade temporal me fez perceber algumas semelhanças entre as duas histórias. São obras diferentes, mas existe uma aproximação interessante na maneira como ambas trabalham pequenas comunidades isoladas marcadas por um fenômeno sobrenatural, cuja existência já faz parte do cotidiano dos moradores.

Em ambas, o sobrenatural não aparece simplesmente como algo que precisa ser eliminado. A comunidade desenvolve regras e mecanismos próprios para conviver com aquilo que não consegue controlar. Também existe a presença de segredos coletivos, conhecimento restrito, isolamento e acontecimentos do passado que continuam interferindo no presente. A ruptura dessa ordem ocorre quando personagens desafiam as regras estabelecidas ou tentam compreender aquilo que a comunidade aprendeu a esconder.

No conjunto, HEX foi uma leitura que não correspondeu às minhas expectativas. A premissa é muito boa, a combinação entre horror e tecnologia é interessante e existem cenas que realmente funcionam, mas senti que faltou consistência para sustentar essas ideias durante todo o romance. O livro tinha elementos para produzir um horror muito mais impactante, mas, para mim, perdeu força ao longo do caminho. Não foi uma das minhas melhores leituras de terror, embora tenha algumas ideias interessantes e momentos que justificam a leitura.

HEX Thomas Olde Heuvelt

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Se você chegou até aqui, muito obrigado pela companhia. Meu nome é Pedro Sucupira, sou professor, pesquisador em formação e um curioso incansável. Amo estudar, ler e, recentemente, descobri o prazer inescapável da escrita. Sou um explorador apaixonado por literatura, comportamento humano, sociedade e por tudo que toca os campos da ciência e da saúde.

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