A Mulher Ruiva, por Orhan Pamuk.
- Pedro Sucupira
- 30 de jan. de 2021
- 3 min de leitura
Atualizado: 7 de jul.

A Mulher Ruiva, escrito pelo autor turco Orhan Pamuk, vencedor do Prêmio Nobel de Literatura, foi minha primeira incursão pela literatura do Oriente Médio, e, devo dizer, uma experiência surpreendentemente rica. A leitura me apresentou um estilo narrativo muito diferente do que estou habituado, mais pausado, mais introspectivo, carregado de simbolismo e de camadas psicológicas sutis.
A história gira em torno de Cem Çelik, um jovem estudante de Istambul que, durante um verão marcante, vai trabalhar como ajudante de um cavador de poços chamado Mahmut. A relação entre os dois homens, marcada por silêncios, autoridade e expectativas, desperta em Cem uma profunda identificação. Mahmut passa a ocupar o espaço simbólico do pai ausente, figura que Cem busca, consciente ou inconscientemente, preencher ao longo de sua vida.
O romance é centrado nas relações humanas e em suas complexidades, especialmente nos laços paternos, reais, simbólicos, idealizados ou interrompidos. Pamuk costura a narrativa com base nessa tensão afetiva, mesclando memórias, mitologia, referências literárias e dilemas morais. A escrita é em primeira pessoa, dividida em capítulos curtos e de leitura fluida, o que facilita o mergulho no enredo mesmo quando ele ganha densidade filosófica. A linguagem é simples e acessível, mas não perde profundidade. Poucas vezes precisei recorrer ao dicionário, e as vezes que precisei foi para compreender termos ligados à cultura turca ou islâmica, o que, aliás, acrescentou muito à experiência.
O livro é dividido em três partes bem definidas, e foi apenas ao final da primeira, quando ocorre uma reviravolta inesperada e perturbadora, que me senti completamente envolvido. A partir desse ponto, a história ganha força e se transforma: o que parecia ser apenas um relato de amadurecimento assume tons trágicos, cheios de ambiguidade moral e tensão psicológica. As escolhas feitas por Cem nessa fase o assombrarão ao longo da vida, revelando a complexidade das decisões e as consequências inescapáveis de certos gestos.
Há, ao longo do livro, referências diretas e indiretas a mitos clássicos, como a tragédia de Édipo e a lenda persa de Rostam e Sohrab. Essas alusões enriquecem a narrativa, conferindo-lhe uma dimensão simbólica que ultrapassa a história individual do protagonista e alcança temas universais como culpa, destino, paternidade e identidade. Pamuk faz isso com grande elegância, sem soar pretensioso ou excessivamente erudito.
O título do livro, A Mulher Ruiva, refere-se a uma figura enigmática que Cem conhece ainda jovem e que, como uma aparição, marcará sua trajetória. Ela representa o desejo, a curiosidade, o desconhecido e, em certo sentido, o início de uma longa cadeia de desdobramentos existenciais. Sua presença no romance é breve, mas impactante, funcionando quase como um arquétipo que conecta o mito ao cotidiano, o real ao imaginado.
Recomendo a leitura, especialmente para quem deseja sair do lugar-comum e conhecer uma literatura que oferece ritmo próprio, outras sensibilidades e uma visão menos ocidentalizada do mundo e das relações humanas.
*******************************************************************************************
Se você chegou até aqui, muito obrigado pela companhia. Meu nome é Pedro Sucupira, sou professor, pesquisador em formação e um curioso incansável. Amo estudar, ler e, recentemente, descobri o prazer inescapável da escrita. Sou um explorador apaixonado por literatura, comportamento humano, sociedade e por tudo que toca os campos da ciência e da saúde.
Se este texto te interessou, aqui no blog você encontra outros escritos meus, entre resenhas, contos e reflexões.
No Instagram, você me encontra como @pedrosucupiraa.
No Skoob, como Pedro Sucupira, onde compartilho os livros que li, estou lendo e pretendo ler.
E no Lattes, é possível acessar minha produção acadêmica, incluindo artigos científicos, capítulos e livros publicados.
Se quiser conversar, trocar ideias, críticas, sugestões ou experiências, sinta-se à vontade para me escrever: pdrohfs@gmail.com.



GG88 mình mới lướt thử vì thấy bạn bè nhắc hoài, kiểu tò mò xem site có dễ dùng không thôi. Vào cái là thấy họ chia nội dung khá gọn, nhìn qua là biết đâu là thể thao, đâu là mấy mục giải trí khác, không bị rối mắt. Mình thích nhất là có phần FAQ hỏi đáp cho tân thủ, đọc vài dòng là hiểu vụ xác thực xong có tiền trải nghiệm tặng luôn, đỡ phải đi tìm thông tin vòng vòng. Mình không ngồi soi kèo hay khuyến mãi gì, chỉ test bấm qua lại thì thấy mượt, chữ nghĩa vừa đủ, không nhồi nhét. Nói chung cảm giác như một trang giải trí bình thường,…