O Retrato de Dorian Gray | Juventude, vaidade e decadência na obra de Wilde
- Pedro Sucupira
- 11 de jan.
- 2 min de leitura

A célebre história de Dorian Gray, o jovem de beleza extraordinária cujo retrato envelhece e se degrada enquanto ele permanece eternamente jovem, figura entre os grandes clássicos da literatura inglesa. Publicado originalmente em 1890, o romance atravessou o tempo não apenas por sua engenhosidade narrativa, mas pela força de suas provocações morais e filosóficas.
Trata-se de uma obra profundamente filosófica, atravessada por elementos do terror gótico, que reflete sobre o hedonismo, a vaidade, a ambição e a lenta, porém implacável, corrupção da alma humana. Wilde constrói uma narrativa inquietante ao investigar os limites do prazer, da liberdade individual e da moralidade, questionando até que ponto uma vida dedicada exclusivamente à satisfação dos desejos pode ser sustentada sem consequências éticas e espirituais.
A figura de Dorian Gray encarna o ideal estético levado ao extremo: a juventude eterna como valor supremo, conquistada à custa da própria consciência. O retrato, por sua vez, assume papel simbólico central, torna-se o espelho daquilo que o personagem se recusa a ver em si mesmo. Cada ato de crueldade, cada escolha moralmente duvidosa, deixa marcas não no corpo de Dorian, mas na pintura oculta, como se a arte fosse condenada a carregar o peso da verdade que o homem insiste em negar.
Um aspecto particularmente relevante desta edição publicada pela DarkSide é a apresentação do texto original, sem censura. Após o lançamento inicial, Wilde enfrentou duras críticas por suposta imoralidade e pelo que muitos leitores da época interpretaram como uma apologia à homossexualidade, algo absolutamente inadmissível na rígida moral vitoriana. Sob intensa pressão, o autor acabou publicando uma versão revisada e suavizada do romance, adequando-o aos padrões sociais vigentes. Ler a versão integral é, portanto, recuperar a potência estética e ética do texto tal como Wilde o concebeu.
Mais do que uma narrativa sobre juventude e beleza, O Retrato de Dorian Gray é uma reflexão amarga sobre hipocrisia, repressão e desejo. Wilde expõe, com ironia e elegância, as contradições de uma sociedade que cultua aparências enquanto condena aquilo que não ousa admitir em público. O romance permanece atual justamente por revelar que, por trás da máscara da virtude, frequentemente se escondem impulsos sombrios e inconfessáveis.
Ler O Retrato de Dorian Gray é, assim, não apenas mergulhar em uma obra literária poderosa, mas entrar em contato direto com a ousadia estética e moral de Oscar Wilde, um autor que desafia convenções, confronta seu tempo e expõe, sem disfarces, as zonas mais obscuras da alma humana.
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Se você chegou até aqui, muito obrigado pela companhia. Meu nome é Pedro Sucupira, sou professor, pesquisador em formação e um curioso incansável. Amo estudar, ler e, recentemente, descobri o prazer inescapável da escrita. Sou um explorador apaixonado por literatura, comportamento humano, sociedade e por tudo que toca os campos da ciência e da saúde.
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