O Colecionador, de John Fowles: um retrato perturbador da psicopatia
- Pedro Sucupira
- há 2 dias
- 2 min de leitura

O Colecionador, de John Fowles, é um livro intenso e profundamente traumatizante. A descrição dos sentimentos da aprisionada: a angústia, o medo constante, a sensação sufocante de estar privada de liberdade; é tão realista e visceral que, em diversos momentos, me peguei agradecido por estar livre, por poder simplesmente sair de casa, caminhar, decidir para onde ir. A leitura provoca esse efeito: torna-nos conscientes daquilo que costumamos considerar banal, a própria liberdade.
Trata-se de uma narrativa mórbida, densa, doentia, com um desfecho extremamente aflitivo e perturbador. Não há conforto, não há alívio fácil. O impacto emocional permanece mesmo depois da última página. É uma experiência que inquieta profundamente.
O personagem criado por John Fowles revela-se tão cruel quanto os piores psicopatas da literatura. Sua frieza, sua racionalização dos próprios atos e a maneira como transforma obsessão em justificativa moral tornam-no assustadoramente humano e é justamente isso que mais apavora. Após a leitura, torna-se fácil compreender por que a obra é frequentemente apontada como inspiração para narrativas como O Silêncio dos Inocentes e Misery. Trata-se de um dos retratos mais impactantes da mente de um psicopata que já li.
Um dos trechos mais marcantes é a fala de Miranda Grey, a sequestrada: “Estou tentando explicar por que estou rompendo com meus princípios (nunca cometer violência). Esse ainda é meu princípio, mas vejo que precisamos romper com os princípios algumas vezes para sobreviver. Não adianta confiar vagamente na sorte, na Providência ou na generosidade divina. Você precisa agir e lutar sozinho.”
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